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Produtividade7 min de leitura

Começar pela tarefa mais difícil ou pelas mais fáceis?

Comer o sapo aposta que a energia acaba cedo; a vitória rápida aposta que ela chega com o movimento. O que a pesquisa diz sobre cada aposta e como escolher a sua.

Na casa da minha avó, o almoço de domingo dividia a família em dois partidos.

O primeiro comia o chuchu antes. Garfada rápida, cara de quem toma xarope, e depois o resto do prato em paz: o frango, a farofa, a batata.

O segundo deixava o chuchu para o fim. Na esperança de que ele desaparecesse sozinho, ou de que a avó se distraísse.

A avó nunca se distraía.

Meu tio Alcides era do segundo partido. Comia a batata primeiro, "para pegar embalo". Pegava tanto embalo que repetia a batata. No fim, sem fome e sem argumento, olhava para o chuchu como quem olha um boleto vencido. Às vezes o chuchu ia para o cachorro, que também era do segundo partido.

Trinta anos depois a discussão voltou, com nome em inglês. O primeiro partido agora se chama eat the frog. O segundo, quick wins. E cada um tem certeza de que o outro está errado.

A diferença, numa frase

As duas estratégias fazem apostas opostas sobre a mesma coisa: a sua energia.

O sapo aposta que a energia é um estoque que acaba, então convém gastá-la no caro enquanto ainda tem. A vitória rápida aposta que a energia é um motor que pega no tranco, então convém dar uma empurrada barata antes da subida.

De onde vem cada uma

O sapo tem uma biografia mais curta do que parece. Quem o transformou em método foi Brian Tracy, no livro Eat That Frog!, de 2001. A frase costuma vir assinada por Mark Twain, mas o Quote Investigator não achou nada dele sobre isso: a primeira atribuição a Twain aparece num jornal de Cleveland em 1988, setenta e oito anos depois da morte do escritor. É anedota, e das boas. Não é fonte.

A vitória rápida tem pai mais respeitável, mas com uma cláusula que costuma cair no caminho. Teresa Amabile e Steven Kramer analisaram diários de profissionais e concluíram que o que mais melhora um dia de trabalho é sentir que avançou. Chamaram de princípio do progresso. Só que o livro fala de progresso em trabalho que tem sentido para a pessoa. Responder oito mensagens de grupo é movimento. Progresso é outra coisa.

Há ainda um parente distante, vindo das finanças. David Gal e Blakeley McShane olharam milhares de clientes de uma empresa de renegociação de dívidas e perceberam que quitar contas inteiras previa quem ia sair do buraco melhor do que o valor total pago. Fechar a conta pequena, ao que parece, ajuda a terminar a guerra. É o argumento mais forte a favor do tio Alcides que eu encontrei.

O que a evidência sustenta e o que não

O estudo mais direto sobre a ordem das tarefas veio de um pronto-socorro. Diwas KC, Bradley Staats, Maryam Kouchaki e Francesca Gino acompanharam 84 médicos atendendo mais de 233 mil pacientes ao longo de seis anos. Quanto mais cheio o plantão, mais cada médico escolhia o caso simples: a cada paciente a mais sob seus cuidados, subia em cerca de 8% a chance de pegar um caso de menor gravidade.

E aqui vem a parte que ninguém cita: no curto prazo, o fácil rende mesmo. Mais pacientes atendidos, mais fila andando. O prejuízo aparece depois. Quem encarava os casos difíceis ficava mais rápido e mais produtivo ao longo dos anos. Quem vivia do fácil aprendia menos.

Os mesmos autores fizeram um experimento online com 365 pessoas. Sob carga alta, 76% escolheram a tarefa fácil seguinte; sob carga baixa, 64%. E o motivo medido não foi estresse. Foi cansaço e a sensação de estar avançando pouco.

Repare no desenho: a pessoa escolhe o fácil justamente porque sente falta de progresso. A vitória rápida é uma fome real. O problema é que o fácil mata a fome e não alimenta.

O que não existe, e vale dizer: nenhum experimento controlado comparou, por semanas, gente que começa o dia pelo difícil com gente que começa pelo fácil numa rotina comum de trabalho. O livro de Tracy é conselho, não pesquisa. Os diários de Amabile e o estudo das dívidas são correlacionais. O pronto-socorro é um ambiente muito particular, em que o fácil nunca acaba.

Como escolher a sua ordem

Sapo primeiroVitória rápida primeiro
ApostaA energia é um estoque que acabaA energia pega no tranco
Serve melhor quandoO fácil nunca acaba e engole o diaO objetivo é longo e feito de partes
Risco típicoTravar na primeira tarefa e perder a manhãNunca chegar ao difícil
Evidência mais próximaMédicos de pronto-socorro (KC et al., 2020)Diários de trabalho e quitação de dívidas

Os limites honestos disso

Nenhuma das duas estratégias diz qual é o sapo. Escolher a tarefa difícil certa é, muitas vezes, a tarefa mais difícil do dia, e nenhum dos estudos toca nisso.

Também não há resposta universal. Uma mesma pessoa pode precisar de sapo na segunda-feira e de vitória rápida na quinta, depois de uma semana que a deixou sem motor. O critério não é a sua personalidade. É o gargalo daquele dia.

E fica a lição do almoço de domingo: a batata que dá embalo é a mesma que tira a fome.

Por que isso importa para mim

Eu sou do partido do tio Alcides, e passei anos tentando virar do outro. Não funcionou. O que funcionou foi aceitar uma vitória rápida por dia, uma só, e ter alguém para perguntar em seguida "e o chuchu?".

É esse papel que eu quis dar ao ASB: uma assistente no WhatsApp que pergunta de manhã qual é a tarefa difícil do dia, aceita um aquecimento curto e volta para cobrar a parte que você preferia deixar para o cachorro.

Conheça o ASB

A organização que acontece na conversa

A Sofia é a assistente do ASB. Ela vive no WhatsApp e no Discord, os lugares onde você já está, e transforma o que você manda em tarefa, lembrete e anotação. Sem abrir aplicativo, sem preencher formulário.

  • Mande um áudio no caminho de casa: vira tarefa com prazo.
  • Ela confirma antes de mexer em qualquer coisa.
  • Tudo aparece organizado no app quando você quiser olhar.
Começar de graçaLeva menos de 2 minutos para conectar.

Perguntas frequentes

É melhor começar o dia pela tarefa mais difícil ou pela mais fácil?

Depende do que falta em você. Se o problema é que as tarefas pequenas nunca acabam e engolem o dia, comece pelo difícil. Se o problema é que você não consegue arrancar, uma ou duas vitórias rápidas do mesmo projeto ajudam. O erro é deixar o cansaço escolher: sob carga alta, quase todo mundo escorrega para o fácil sem decidir.

Vitória rápida não é só procrastinação disfarçada?

Às vezes é. A diferença está no número e no assunto. Uma ou duas tarefas curtas, ligadas ao que importa, funcionam como arranque. Uma manhã inteira de pendências fáceis e soltas é o que um estudo com médicos de pronto-socorro associou a produtividade maior no curto prazo e menor aprendizado no longo.

Mark Twain disse mesmo que era para comer um sapo vivo de manhã?

Não há registro disso. O Quote Investigator rastreou a ideia até o francês Nicolas Chamfort, no fim do século XVIII, e só encontrou a frase atribuída a Twain num jornal de 1988, quase oitenta anos depois da morte dele. A expressão "eat the frog" como método ficou famosa com o livro de Brian Tracy, de 2001.

Fontes

Sobre o autor

Matheus Valadares

Fundador do ASB

Desenvolvedor e fundador do ASB. Construiu a Sofia depois de perceber que o problema nunca foi falta de aplicativo de tarefas: era ter que lembrar de abrir um.

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