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Aplicativos para TDAH: o que cada um ataca e o que a pesquisa diz (e não diz)

Tiimo, Goblin Tools, Focusmate, Inflow, Finch e Brain.fm separados pelo problema que atacam, com preço conferido e o pouco que a pesquisa testou de fato.

Os aplicativos mais usados por quem tem TDAH atacam problemas diferentes: o Tiimo deixa o tempo visível, o Goblin Tools quebra tarefas em passos, o Focusmate põe outra pessoa trabalhando junto, o Brain.fm tenta segurar a atenção com som, o Finch recompensa o autocuidado e o Inflow ensina técnicas de terapia. Quase nenhum foi testado em ensaio clínico.

Essa última frase é a que as listas de "melhores apps para TDAH" costumam pular. Este texto tenta não pular.

Quais são os aplicativos mais usados por quem tem TDAH?

Separei seis pelo que eles tentam resolver. Conferi plataforma e preço nas páginas oficiais em outubro de 2026; quando a página não dava o número, deixei sem.

Seis apps, seis problemas

Não vejo o tempo passar: Tiimo

Planner visual com linha do tempo e contagem regressiva na tarefa em andamento. Ganhou o prêmio de App do Ano para iPhone no App Store Awards de 2025, segundo o próprio site. Grátis no celular com parte dos recursos; o resto é assinatura.

Não consigo começar: Goblin Tools

Ferramentas pequenas com IA: a Magic ToDo quebra uma tarefa em passos, o Estimator chuta quanto tempo algo leva, o Compiler transforma um despejo de ideias em ações. O criador diz que foram feitas principalmente para pessoas neurodivergentes. O site é grátis e sem anúncios; os apps de celular são pagos.

Não consigo continuar sozinho: Focusmate

Body doubling por vídeo: você marca uma sessão de 25, 50 ou 75 minutos com um desconhecido, cada um diz a meta e os dois trabalham. Grátis até 3 sessões por semana; ilimitado custa US$ 8 por mês no anual ou US$ 12 no mensal.

Me distraio com tudo: Brain.fm

Música feita para foco, com modulações rítmicas. Roda na web, iOS, Android e computador. US$ 14,99 por mês ou US$ 99,99 por ano, com teste grátis.

Me cobro demais: Finch

Um passarinho virtual que cresce quando você cumpre pequenas metas de autocuidado. Grátis no iPhone e no Android; o Finch Plus custa US$ 9,99 por mês ou US$ 69,99 por ano. A página não fala em TDAH, mas ele aparece muito nas recomendações da comunidade.

Quero entender meu TDAH: Inflow

Programa de terapia cognitivo-comportamental (TCC) em app, com módulos e exercícios. iPhone e Android, US$ 199 por ano ou US$ 47,99 por mês depois de 7 dias de teste.

Algum desses apps foi testado em pesquisa?

Dois, e vale olhar de perto o que foi testado.

7 semanas

de duração do estudo de viabilidade do Inflow, sem grupo de controle (Knouse et al., 2022)

154

adultos com TDAH no ensaio randomizado de um app de TCC (Antshel, McBride e Knouse, 2026)

~5 minutos

por condição no experimento de música com modulação ligado ao Brain.fm (Woods et al., 2024)

834

usuários frequentes na pesquisa interna do Focusmate, sem grupo de controle (Focusmate, 2024)

Inflow. Em 2022, Laura Knouse e colegas publicaram na PLOS Digital Health um estudo de viabilidade do app com adultos americanos da lista de espera do Inflow. Quem chegou ao fim relatou menos sintomas, e o app foi avaliado como fácil de usar. Os próprios autores listam os limites: não havia grupo de controle, então a melhora pode ser regressão à média ou efeito de expectativa, e cerca de metade dos participantes saiu antes da sétima semana. Dois dos autores são cofundadores do Inflow; Knouse se declara consultora clínica não remunerada da empresa.

Em 2026, Kevin Antshel, Hannah McBride e a mesma Knouse publicaram no Journal of Attention Disorders um ensaio randomizado com 154 adultos diagnosticados: metade usou por oito semanas um app de TCC para TDAH, metade ficou na lista de espera. O grupo do app melhorou mais em desatenção, hiperatividade-impulsividade e qualidade de vida. O prejuízo funcional no dia a dia não melhorou de forma significativa. E os autores escrevem que a confiança no resultado é limitada pelo desenho com lista de espera. No texto que consegui ler, o app não é nomeado.

É o melhor que a área tem, e ainda assim é "promissor", não "comprovado".

Brain.fm. Um artigo de 2024 na Communications Biology (Woods e colegas) testou música com modulação rítmica numa tarefa de atenção sustentada. Em quem relatava mais sintomas de TDAH, a modulação numa faixa específica ajudou mais. Três detalhes mudam a leitura: os sintomas foram medidos por questionário de autorrelato, sem diagnóstico; cada condição durava cerca de cinco minutos, não uma tarde de trabalho; e uma correção publicada em 2026 informou que o primeiro autor é funcionário da Brain.fm e outro autor já foi.

Focusmate e o body doubling. Sobre a ideia em si, a CHADD é direta: ainda não houve pesquisa significativa validando os benefícios ou explicando como funciona. O próprio Focusmate publicou uma pesquisa com 834 membros que tinham feito cinco ou mais sessões na semana anterior: 99% disseram que o app melhora a produtividade. É autorrelato de quem já usa muito, feito pela empresa, sem grupo de comparação. Mostra que os fãs gostam; não mostra quanto o app muda a vida de quem está começando.

Tiimo, Goblin Tools e Finch. Não encontrei estudo publicado sobre esses produtos nem pesquisa citada nas páginas oficiais que conferi. O site do Tiimo diz que as ferramentas têm raiz em pesquisa sobre funções executivas, mas não cita estudo nas páginas que conferi.

O que "baseado em ciência" quer dizer na loja de apps?

Quase sempre quer dizer que a ideia do app conversa com algo que a pesquisa conhece. A TCC para TDAH adulto tem evidência; um app que ensina TCC ainda está provando que transmite o mesmo efeito. Externalizar o tempo ajuda no TDAH; um planner específico nunca foi comparado com uma agenda de papel.

Como escolher um aplicativo para TDAH sem virar colecionador?

Para ver os mesmos apps num quadro maior, o guia de melhores aplicativos de produtividade organiza por categoria; o texto sobre app de planner diário compara o Tiimo com outros planners de linha do tempo; e o de apps para quem não tem constância trata de rastreadores de hábito e compromissos com custo.

O problema que sobra

Quase todos esses apps resolvem uma coisa e pressupõem outra: que você vai lembrar de usá-los. O Tiimo precisa ser aberto, o Focusmate precisa ser agendado, o Inflow precisa que você volte para o módulo da semana.

Eu fiz o ASB, então leia o que digo dele com esse desconto. Ele também não foi testado em ensaio, e não trata nada. Não tem linha do tempo visual como o Tiimo nem sessão com outra pessoa como o Focusmate. O que ele tenta resolver é o pedaço que sobra: a Sofia vive no WhatsApp, recebe o que você mandar por texto ou áudio, pede confirmação antes de salvar e, na hora, chama e insiste até você responder. Não substitui nenhum dos apps acima; cobre o momento em que você esqueceu que eles existem.

Conheça o ASB

A organização que acontece na conversa

A Sofia é a assistente do ASB. Ela vive no WhatsApp e no Discord, os lugares onde você já está, e transforma o que você manda em tarefa, lembrete e anotação. Sem abrir aplicativo, sem preencher formulário.

  • Mande um áudio no caminho de casa: vira tarefa com prazo.
  • Ela confirma antes de mexer em qualquer coisa.
  • Tudo aparece organizado no app quando você quiser olhar.
Começar de graçaLeva menos de 2 minutos para conectar.

Perguntas frequentes

Existe aplicativo que trata TDAH?

Não no sentido de substituir tratamento. O Inflow, o app mais próximo de uma intervenção, diz na própria página que não oferece serviço clínico nem tratamento médico. Os apps podem ajudar a organizar o dia e a aplicar técnicas de terapia cognitivo-comportamental, mas diagnóstico e tratamento continuam sendo com profissional de saúde.

Qual o melhor aplicativo para TDAH grátis?

Depende do problema. O site do Goblin Tools, que quebra tarefas em passos, é gratuito e sem anúncios. O Focusmate dá 3 sessões por semana no plano grátis. O Finch é um app de autocuidado gratuito com assinatura opcional. O Tiimo tem versão grátis no celular com parte dos recursos. Tudo conferido em outubro de 2026.

Body doubling funciona para TDAH?

Muita gente relata que trabalhar com alguém por perto ajuda a começar e a continuar. Mas a CHADD, associação americana de TDAH, escreve que ainda não houve pesquisa significativa validando os benefícios do body doubling ou explicando como ele funciona. É uma estratégia barata de testar, não uma técnica comprovada.

Fontes

Sobre o autor

Matheus Valadares

Fundador do ASB

Desenvolvedor e fundador do ASB. Construiu a Sofia depois de perceber que o problema nunca foi falta de aplicativo de tarefas: era ter que lembrar de abrir um.

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