ASB

Produtividade6 min de leitura

Done list: e se, em vez de só olhar o que falta, você anotasse o que já fez?

A lista de tarefas mede o dia pelo que faltou e nunca acaba. A done list mede pelo que aconteceu. Uma serve para decidir, a outra para enxergar.

A sua lista de tarefas nunca vai acabar. Não é força de expressão, nem previsão pessimista: é aritmética. Entram mais pedidos, ideias e obrigações do que cabem nas horas que você tem, e isso vale para você, para a pessoa mais organizada que você conhece e para quem escreve livros sobre organização.

O desconforto vem daí. Toda noite você fecha o dia diante de um documento cuja função é listar o que não foi feito. Mesmo nos dias bons, ele termina com saldo negativo. E, como é a única contabilidade que você mantém, a conclusão parece óbvia: o dia foi insuficiente.

A done list não conserta essa aritmética. Nada conserta. Ela só abre um segundo livro-caixa, e isso é mais importante do que parece.

A diferença numa frase

A lista de tarefas aponta para a frente e serve para decidir; a done list aponta para trás e serve para enxergar. Uma nunca termina por definição; a outra está completa toda noite.

De onde veio a lista do que foi feito

O nome "ta-da list" circula por aí sem autor identificável, e eu não vou inventar um. A versão mais antiga com autor e data que consegui verificar é a "anti-todo list" de Marc Andreessen, num guia de produtividade publicado em 2007: toda vez que fizer qualquer coisa útil durante o dia, anote no cartão. No fim, olhe, sinta que o dia rendeu, e jogue o cartão fora.

Repare no detalhe que quase ninguém repete: ele jogava fora. A lista não era arquivo, nem relatório, nem prova para ninguém. Era um instrumento para o próprio humor, usado e descartado. O motivo, nas palavras dele, era aquela pequena descarga de satisfação do rato que aperta a alavanca e recebe comida, um jeito de se sentir produtivo nos dias em que, sem registro, a impressão seria de não ter feito nada.

A lista de tarefas, por outro lado, tem um trabalho mais sério do que parece. Masicampo e Baumeister mostraram que uma meta pendente continua ocupando a cabeça, e que fazer um plano concreto para ela basta para aliviar essa ocupação, mesmo sem cumprir a meta. A lista de tarefas é o lugar onde o que está aberto descansa. A done list não faz isso: ela não fecha nada que está aberto. Só mostra o que já fechou.

O que a evidência sustenta (e o que não sustenta)

O argumento mais citado a favor vem de Teresa Amabile e Steven Kramer. Eles analisaram quase 12 mil registros de diário escritos por 238 profissionais de 26 equipes, em sete empresas, ao longo de cerca de quatro meses. Nos dias de melhor humor, houve algum progresso em 76% das vezes; contratempos apareceram em só 13% deles. Eventos pequenos, como um avanço modesto num projeto, muitas vezes tiveram efeito grande sobre como a pessoa se sentia no trabalho.

Mas o próprio artigo admite o limite: é correlação. Progresso e bom humor andam juntos, e provavelmente um alimenta o outro. E o estudo não testou done lists; testou pessoas em equipes de projeto relatando o próprio dia.

A evidência mais forte é de outra natureza. Uma meta-análise de 2016 reuniu 138 experimentos randomizados, com quase 20 mil participantes, e concluiu que monitorar o progresso rumo a uma meta ajuda a alcançá-la, com efeito moderado, e que o efeito é maior quando o progresso é registrado por escrito ou tornado público.

Veja a letra miúda: progresso rumo a uma meta. Não existe estudo controlado sobre a done list como técnica. O que existe sustenta um tipo específico de done list, a que registra avanço em algo que importa, e não sustenta a lista de tudo que te manteve ocupado.

Qual usar quando

As duas lado a lado

Lista de tarefasDone list
DireçãoFuturoPassado
Pergunta que respondeO que eu faço agora?O que eu já fiz?
Quando fica completaNuncaTodo fim de dia
Risco principalMedir o dia só pelo que faltouPremiar ocupação no lugar de progresso
EvidênciaPlanos concretos aliviam metas pendentesMonitorar progresso rumo a meta ajuda; a técnica em si não foi testada

O que nenhuma das duas resolve

Nenhuma lista muda a aritmética do começo. Você vai continuar tendo mais coisa possível do que tempo, e vai continuar escolhendo, todo dia, o que fica de fora. A done list não torna essa escolha mais fácil; ela só impede que você esqueça que escolheu, e que alguma coisa, de fato, saiu.

Por que eu quis isso no ASB

Eu passei anos fechando o dia pela lista que nunca acaba e dormindo com a sensação de dívida. O que mudou não foi fazer mais: foi ter onde ver o que já tinha saído.

Por isso o ASB não é só uma assistente no WhatsApp que lembra do que falta; ela também pergunta, e acompanha, o que você já fez.

Conheça o ASB

Tire tudo da cabeça em um lugar só

Inbox, tarefas, projetos, calendário e anotações no mesmo lugar, alimentados por conversa, não por digitação em formulário. O ASB é o segundo cérebro que responde.

  • Quadros com "A fazer" e "Feito" prontos desde o primeiro projeto.
  • XP, conquistas e streak para o dia em que a motivação não aparece.
  • App na web e no celular, com a assistente no meio.
Criar minha contaComece pelo plano gratuito do beta.

Perguntas frequentes

O que é uma done list?

É uma lista do que você já fez, escrita ao longo do dia ou no fim dele, em vez de uma lista do que falta fazer. Ela não planeja nada: registra. A versão mais antiga com autor e data que encontrei é a "anti-todo list" que Marc Andreessen descreveu em 2007: anotar tudo de útil que você fez, conforme faz, num cartão.

Done list substitui a lista de tarefas?

Não. As duas fazem trabalhos diferentes. A lista de tarefas serve para decidir o que vem a seguir e para tirar da cabeça o que está pendente. A done list serve para você enxergar o que aconteceu. Quem troca uma pela outra perde o planejamento ou perde a noção do próprio progresso.

Existe estudo mostrando que a done list funciona?

Não sobre a done list em si. O que existe é pesquisa vizinha: um estudo com diários de trabalho ligando progresso percebido a dias melhores, e uma meta-análise de 138 experimentos mostrando que monitorar o progresso rumo a uma meta ajuda a alcançá-la, mais ainda quando o registro é escrito. A done list aproveita isso só se estiver ligada a algo que importa.

Fontes

Sobre o autor

Matheus Valadares

Fundador do ASB

Desenvolvedor e fundador do ASB. Construiu a Sofia depois de perceber que o problema nunca foi falta de aplicativo de tarefas: era ter que lembrar de abrir um.

Continue lendo

Voltar para o blog